BENS NÃO DECLARADOS EM IRPF ANTERIORES, O QUE FAZER?

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    Estou com dois casos parecidos, um onde o cliente fazia imposto de renda com outra pessoa e ao realizar a declaração dele identifiquei que ele tem uma moto que não foi declarada anteriormente e outro que no IRPF de 2025 o contador dele não declarou a venda do veículo que ele tinha e a compra do novo veículo.

    Minha dúvida é: devo declarar esses bens no imposto de renda 2026 ou o ideal seria retificar as declarações anteriores?

    IRPF
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    Respostas da Comunidade (1)

    Guilherme Henrique Ferreira
    2.839 pts

    Boa tarde, Alessandra,

    Esse tipo de situação aparece bastante no dia a dia do contador. Vou explicar a lógica por trás de cada caso e o que fazer na prática.

    A regra geral: retificar é sempre o caminho correto

    Quando um bem não foi declarado nos anos anteriores ou uma operação deixou de ser registrada, o ideal é sempre retificar as declarações dos anos em que o erro ocorreu, e não simplesmente incluir o bem na declaração atual como se ele tivesse surgido do nada.

    O motivo é simples: a Receita Federal cruza informações de vários anos. Se um bem aparece na declaração de 2026 sem nunca ter sido mencionado antes, e sem nenhuma operação de compra registrada no ano-base de 2025, isso pode gerar inconsistências e até malha fina. A retificação é o que garante que o histórico do contribuinte faça sentido.

    Caso 1: a moto que nunca foi declarada

    Aqui o cliente tem uma moto que deveria ter aparecido em declarações anteriores e nunca apareceu. O que fazer:

    Você precisa identificar em qual ano a moto foi adquirida e retificar a declaração desse ano para incluir o bem na ficha de Bens e Direitos, com o valor de aquisição na época. A partir daí, o bem deve aparecer em todas as declarações seguintes — ou seja, pode ser necessário retificar mais de um ano em sequência, mantendo o bem registrado em cada exercício.

    Um ponto importante: a retificação deve ser feita na ordem cronológica, do ano mais antigo para o mais recente. Se você retificar 2022 e o bem aparecer lá, precisa verificar se as declarações de 2023 e 2024 também precisam ser ajustadas.

    Quanto ao valor, use o custo de aquisição real do veículo na época da compra, que pode ser comprovado pela nota fiscal, pelo documento de transferência ou pelo DETRAN.

    Caso 2: venda do veículo antigo e compra do novo não registradas

    Esse é um caso um pouco mais delicado porque envolve duas operações: uma saída (o veículo vendido) e uma entrada (o veículo novo comprado). Como essas operações ocorreram e não foram declaradas no IRPF de 2025, o correto é retificar a declaração de 2024 (ano-base 2024, entregue em 2025).

    Na retificação, você vai:

    • Zerar o veículo antigo na ficha de Bens e Direitos, registrando na discriminação que ele foi vendido, com o nome e CPF do comprador, a data e o valor da venda.

    • Incluir o veículo novo com o valor de aquisição pago.

    • Verificar se houve ganho de capital na venda — ou seja, se o valor recebido foi maior do que o valor pelo qual o veículo estava declarado. Veículos têm isenção de ganho de capital quando o valor de venda é de até R$ 35.000. Se a venda foi acima disso e havia ganho, pode haver imposto a recolher, com acréscimo de juros e multa por atraso, infelizmente.

    Mas e se o prazo de retificação já passou?

    A Receita Federal permite retificar declarações por até 5 anos a partir da data de entrega. Então, em geral, você consegue retificar sem problema. Após esse prazo, a Receita pode fazer o lançamento de ofício, mas o contribuinte perde o direito de corrigir espontaneamente.

    Resumindo o que fazer em cada caso

    No caso da moto: retifique a declaração do ano em que ela foi comprada e, se necessário, as seguintes, incluindo o bem com o valor de aquisição correto.

    No caso da venda e compra do veículo: retifique a declaração de 2024 (IRPF 2025), registrando corretamente a saída do veículo vendido e a entrada do novo, e apure se há ganho de capital a recolher.

    Em ambos os casos, não inclua os bens ou operações na declaração de 2026 como se fossem fatos de 2025 — isso criaria uma inconsistência ainda maior no histórico do contribuinte.

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