Contabilização de bens adquiridos com recursos de convênio

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    Em órgão públicos, qual deve ser a contabilização de ativos adquiridos com recursos de contratos de gestão e de convênios? São bens adquiridos pela entidade que recebeu recursos de um convênio e com esses recursos adquiriu ativos.

    A contadora anterior, registrava em uma conta de compensação, com uma taxa qualquer de depreciação simbólica para todos os itens. No balanço, esses ativos não somavam ao valor do Ativo Imobilizado e nem alteravam o superávit ou déficit do Patrimônio Social (eram contas estatísticas). Porém no total do Ativo e total do Passivo estes valores entravam no cálculo, portanto compondo o balanço da entidade.

    Agora estou em dúvida se continuo seguindo o mesmo critério ou se realizo a ativação desses bens e sigo o princípio da essência econômica sobre a forma jurídica, onde o controle do ativo para gerar benefícios futuros é mais relevante do que a propriedade jurídica do bem.

    E a depreciação, devo respeitar a taxa de depreciação de cada bem?

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    Respostas da Comunidade (2)

    Antônio  Glademyr SILVERIO
    1.253 pts

    E a depreciação, devo respeitar a taxa de depreciação de cada bem?

    Sim, na contabilidade pública, você deve respeitar a vida útil e a taxa de depreciação específica de cada bem ou classe de bens. A depreciação não é mais apenas uma "tabela fixa", mas sim um reflexo do consumo real da utilidade do ativo ao longo do tempo.

    Os pontos fundamentais de acordo com o MCASP (Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público) e as normas vigentes:

    • Obrigatoriedade e Vida Útil: A depreciação é obrigatória para todos os entes públicos e deve ser baseada na vida útil econômica estimada do bem, e não apenas em critérios fiscais (receita federal).

    • Revisão Periódica: A vida útil e o valor residual devem ser revisados ao final de cada exercício (ano). Se o bem estiver sendo mais usado que o esperado, a taxa de depreciação deve ser ajustada.

    • Métodos Diferentes: Não é obrigatório usar o mesmo método (ex: linha reta, soma dos dígitos) para todos os bens. O método deve refletir o padrão de consumo do bem.

    • Valor do Bem: A depreciação é calculada sobre o valor contábil (valor de aquisição + benfeitorias, menos o valor residual).

    O que NÃO deve ser depreciado:

    • Terrenos.

    • Obras de arte e bens de interesse histórico/cultural.

    • Bens com vida útil indeterminada.

    Resumo: O objetivo é que o balanço patrimonial mostre o valor real dos ativos. Portanto, se um veículo dura 5 anos em uma secretaria e 10 anos em outra, as taxas de depreciação devem ser diferentes.

    Antônio  Glademyr SILVERIO
    1.253 pts

    A sua dúvida é extremamente pertinente e alinhada com as normas contábeis modernas (MCASP 10ª edição NBC TSP). O critério da "contadora anterior" (registro apenas em contas de compensação, taxas simbólicas, sem afetar o resultado) é considerado uma prática defasada, baseada no modelo orçamentário/fisco-contábil antigo, e não reflete a realidade patrimonial (essência econômica).

    Você deve adotar o princípio da essência sobre a forma jurídica (NBC TSP Estrutura Conceitual).

    O Entendimento Atual: Ativação dos Bens (Regra Geral)

    O entendimento do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e do Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público (MCASP) é que, se a entidade recebeu os recursos, adquiriu bens em seu nome e os utiliza para gerar benefícios futuros (ou potencial de serviços), esses bens devem ser registrados no seu Ativo Imobilizado.

    A contabilização correta deve seguir estes passos:

    1. Reconhecimento do Ativo: A aquisição gera um aumento no ativo imobilizado (D) e uma contrapartida no passivo (C), geralmente em receitas antecipadas ou convênios a comprovar.

    2. Depreciação Real: A depreciação deve ser calculada com base na vida útil econômica do bem, não de forma simbólica, afetando o resultado (despesa de depreciação).

    3. Reconhecimento da Receita: À medida que o bem é depreciado, reconhece-se a receita da transferência governamental (equivalente à depreciação do período), zerando o efeito no superávit/déficit final, mas demonstrando a transação corretamente.

    Resposta às suas dúvidas específicas:

    • Ativação vs. Compensação: Devem ser ativados no Ativo Imobilizado. As contas de compensação devem ser usadas apenas para controle orçamentário ou quando a entidade não tem o controle do bem (ex: bens de terceiros em comodato).

    • Controle dos Bens (Bens Remanescentes): Se o contrato prevê que os bens adquiridos com recursos de convênio/gestão tornam-se "remanescentes" e podem ser mantidos pela entidade após a prestação de contas (ou doados definitivamente), isso confirma que o controle (benefícios futuros) é da entidade, consolidando a necessidade de ativação

    Resumo da Nova Contabilização (Procedimento Recomendado)

    Momento: Pela Compra

    Lançamento Contábil:

    D - Ativo Imobilizado (Patrimonial)
    C - Passivo Circulante/Não Circulante (Convênios/Recursos a Comprovar)

    Momento: Pela Depreciação

    Lançamento Contábil:

    ·D - Variação Patrimonial Diminutiva (Depreciação)
    C - Depreciação Acumulada

    Momento: Pela Reconhecimento da Receita

    Lançamento Contábil:

    D - Passivo Circulante/Não Circulante (Convênios)

    C - Variação Patrimonial Aumentativa (Receita de Convênio)

    A mudança para a contabilização patrimonial (ativação) é necessária para refletir a verdadeira posição financeira e patrimonial da entidade, atendendo às normas de convergência internacional do setor público.

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