Olá Camila, boa noite.
Essa é a pergunta de "um milhão de reais" que todos os nossos clientes estão fazendo agora em 2026. A resposta curta e direta é: a prioridade é a simplificação e a neutralidade, não a redução da carga tributária total.
O governo desenhou a reforma para que o Estado continue arrecadando a mesma porcentagem do PIB (em torno de 12,3% apenas para esses tributos de consumo). No entanto, o impacto no bolso vai depender muito de quem está pagando.
Para entender melhor, imagine que a carga tributária é uma manta: ela não vai crescer, mas vai ser "puxada" de um lado para o outro.
1. Para as Empresas: Menos Custo de "Papel", Mas Nem Sempre Menos Imposto
A grande vitória para nós, contadores, e para os empresários é a redução do Custo de Conformidade (o tempo e dinheiro gastos apenas para calcular e pagar impostos).
Onde diminui: No setor industrial. Como a indústria tem muitos insumos, ela vai conseguir se creditar de absolutamente tudo o que compra (crédito financeiro pleno). Isso elimina o "imposto sobre imposto" (cumulatividade).
Onde pode aumentar: No setor de serviços. Muitas empresas de serviços têm poucos insumos "físicos" para gerar crédito, mas suas alíquotas (hoje em torno de 5% de ISS + 3,65% de PIS/Cofins no Presumido) podem saltar para a alíquota padrão próxima de 26,5%.
2. Para o Consumidor: Preços Mais Transparentes
Hoje, o imposto está "escondido" no preço. Com a reforma e o cálculo "por fora":
Cesta Básica: Deve haver redução ou isenção total (Alíquota Zero) para itens essenciais, o que ajuda o consumidor de baixa renda.
Produtos de Luxo e "Pecados": Com o novo Imposto Seletivo (o "imposto do pecado"), itens como cigarros, bebidas alcoólicas e veículos poluentes devem ficar mais caros.
Transparência: Você verá exatamente quanto de IBS e CBS está pagando em cada nota fiscal, sem as distorções do cálculo por dentro.
3. A "Trava" de 2026 e 2031
Para garantir que não haja um aumento descontrolado, a legislação de 2025/2026 estabeleceu mecanismos de ajuste:
Ano de Teste (2026): Estamos operando com apenas 1% (0,9% CBS + 0,1% IBS) para calibrar o sistema.
A Trava de 26,5%: Existe um compromisso de que, se em 2031 a alíquota de referência ultrapassar este teto, o governo precisará propor medidas para reduzir benefícios e baixar a taxa.
Em suma: Não espere pagar menos impostos no total do país, mas espere um sistema mais justo (quem consome mais luxo paga mais) e muito mais simples de gerir no dia a dia da sua empresa.
Espero ter ajudado.