Olá Keila, boa tarde.
A sua preocupação é legítima e reflete o momento de transição que vivemos agora em 2026. Com a LC 214/2025 e o início da fase de testes da Reforma Tributária, o cenário mudou: o Simples Nacional continua existindo, mas deixou de ser uma "ilha isolada" onde tudo é sempre mais vantajoso.
Para decidir se vale a pena continuar, você precisa analisar o perfil de crédito e o público-alvo (B2B ou B2C) de cada cliente.
O "X" da Questão: O Regime Híbrido
A maior novidade é que agora as empresas do Simples podem escolher duas formas de recolher o IBS e a CBS:
Dentro do DAS (Recolhimento Unificado):
Como funciona: A empresa paga tudo em uma única guia, como sempre foi.
O problema: Ela só transfere para o cliente um crédito "reduzido" (equivalente ao que ela efetivamente paga de IBS/CBS dentro do Simples).
Impacto: Se o cliente for uma empresa grande (Lucro Real ou Presumido), ela terá menos crédito para abater, o que torna o seu cliente do Simples "mais caro" e menos competitivo no mercado B2B.
Fora do DAS (Regime Híbrido):
Como funciona: A empresa paga IRPJ, CSLL e CPP pelo Simples, mas recolhe o IBS e a CBS pelo regime regular (débito e crédito).
Vantagem: Permite transferir crédito integral para os clientes e também se creditar das compras de insumos.
Desvantagem: Aumenta a complexidade contábil e pode elevar a carga tributária se a empresa tiver poucos insumos (como prestadores de serviços de mão de obra).
O que fazer agora?
Como estamos no período de alíquotas de teste (0,1% para IBS e 0,9% para CBS), o impacto no caixa ainda é pequeno, mas o impacto nos sistemas e na estratégia é imediato.
Simulação de Créditos: Calcule quanto de crédito o seu cliente perde ao vender para uma empresa do Lucro Real estando no Simples unificado.
Análise de Margem: Verifique se a migração para o Lucro Presumido (com CBS/IBS não cumulativo) não traz uma economia real em comparação ao Anexo IV ou V do Simples.
Atenção ao Cronograma: Lembre-se que em 2027 a transição se intensifica com a extinção total do PIS/Cofins e a elevação das alíquotas da CBS.
O Simples Nacional não morreu, mas ele se tornou uma escolha estratégica e não mais automática. O planejamento tributário "caso a caso" nunca foi tão necessário para nós.
Espero ter ajudado