Imposto de renda: como pagar menos ou usar de forma mais eficiente deduções

    Flávio Romeiro
    🌱
    🌱 196 pts

    Boa noite, queria saber de pessoas que já entram na faixa de 27.5% como CLT, qual metodologia utilizam para reduzir o IR. Pelo visto, não tem muitos gastos passíveis de dedução que realmente abaixem o valor a restituir (ja vi dependentes, educação, saúde e PGBL). Educação tem limíte baixo, e saúde não abate 100%, acho que a relação é 25% do valor da nota.

    Tem alguma outra coisa ou ítem que possa ajudar a aumentar a restituição? Ou é isso mesmo?

    Outra dúvida: existe a possibilidade de não ser retido na fonte e só pagar final do ano? Isso de certa forma geraria para a pessoa uma renda passiva enquanto vai acumulando esses valores. Em alguns países funciona assim, até com o imposto de CNPJ funciona (ou funcionava, mudou agora esse ano) dessa forma.

    Por exemplo, se um CLT recebe 4 mil em um emprego e 5 mil em outro, em tese não é retido na fonte em nenhum deles. Ele deverá pagar depois na declaração anual. Isso faz justamente o que eu menciono acima, porém não funciona para quem recebe, por exemplo, 20 mil de uma empresa só.

    Qualquer informação relacionada, agradeço!

    imposto de renda
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    Respostas da Comunidade (2)

    Márcio Augusto Borges
    3.417 pts

    Olá Flávio, boa noite.
    Boa noite! Essa é a "dor" de todo profissional que atinge o topo da tabela progressiva. Como você bem observou, para o CLT, o espaço de manobra é muito mais restrito do que para uma pessoa jurídica, pois a Receita Federal utiliza a retenção na fonte justamente para garantir o fluxo de caixa do governo.

    Vamos detalhar os pontos sobre deduções e a questão da retenção:

    1. Além do Óbvio: O que mais pode ajudar na Restituição?
    Você citou os pilares principais (Saúde, Educação, Dependentes e PGBL). Fora eles, existem poucas alternativas, mas algumas podem fazer diferença:

    Pensão Alimentícia: É uma das poucas deduções que não tem teto de valor (diferente da educação). Ela abate o valor integral, desde que estabelecida por decisão judicial ou escritura pública.

    Livro-Caixa: Se você tiver uma fonte de renda como autônomo (além do CLT), pode abater despesas necessárias para exercer essa atividade (aluguel de escritório, luz, materiais). Atenção: Isso não abate o imposto do seu salário CLT, apenas o imposto da renda extra.

    Doações Incentivadas: Você pode destinar até 6% do imposto devido para fundos da Criança e do Adolescente ou do Idoso diretamente na declaração. Isso não "aumenta" a restituição no sentido de sobrar mais dinheiro no seu bolso no total (pois você doou o valor), mas permite que você escolha para onde vai parte do seu imposto em vez de deixá-lo todo com o governo.

    Previdência Social (INSS): O valor descontado mensalmente de INSS é dedutível integralmente da base de cálculo.

    2. Sobre a Retenção na Fonte: É possível evitar?
    No modelo brasileiro atual para o CLT (trabalhador assalariado), a resposta curta é: Não.

    O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) é uma obrigação da fonte pagadora (a empresa). Se a empresa não retiver o imposto de um salário que ultrapassa a faixa de isenção, ela está descumprindo a lei e sujeita a multas pesadas. Não existe uma opção de "opt-out" para o funcionário escolher pagar só no ajuste anual.

    Por que no exemplo dos dois empregos funciona?
    Você tocou em um ponto técnico interessante. Se você tem dois empregos:

    A Empresa A olha apenas o salário dela e retém o imposto proporcional.

    A Empresa B faz o mesmo.

    Como as tabelas são progressivas, quando você soma as duas rendas na Declaração Anual, você salta para uma faixa de alíquota muito maior, e o que foi retido separadamente torna-se insuficiente. Aí sim, você gera um "Imposto a Pagar" alto no final do ano.

    O "Pulo do Gato" (ou o risco): Nesse cenário de dois empregos, você realmente acaba ficando com o dinheiro na mão durante o ano (a tal "renda passiva" que você mencionou). Porém, isso não é um benefício planejado, mas um efeito colateral da falta de comunicação entre as fontes pagadoras. No ajuste anual, você terá que pagar tudo de uma vez, muitas vezes com o valor corrigido ou acumulado, o que exige um rigoroso planejamento financeiro para não ser pego de surpresa.

    3. A Realidade da Tabela de 27,5%
    Infelizmente, para o CLT de alta renda, a única forma "agressiva" de reduzir o imposto legalmente é o PGBL. Ao aportar 12% da sua renda bruta anual em um PGBL, você reduz a sua base de cálculo em 12%.

    Exemplo: Se você ganha R$ 200.000,00 no ano e coloca R$ 24.000,00 no PGBL, o governo vai fingir que você ganhou apenas R$ 176.000,00 para fins de cálculo de imposto. Na faixa de 27,5%, isso significa uma "economia" imediata de R$ 6.600,00 que volta para você na restituição.

    Fora isso, o sistema brasileiro é desenhado para ser "estanque" para o assalariado. Muitos profissionais nessa faixa acabam optando pela "Pejotização" (virar PJ) justamente para ter acesso a deduções de despesas da empresa e uma tributação sobre o faturamento (como no Simples Nacional ou Lucro Presumido), que costuma ser bem menor que os 27,5% da pessoa física.

    Rodrigo Carvalho Rastoldo de Souza
    1.488 pts

    Boa tarde. As despesas médicas são deduzidas 100% do valor da nota na base de cálculo.

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