Quais adaptações operacionais serão necessárias com o split payment?

    CG
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    Pensando na implementação do split payment, quais mudanças vocês acreditam que serão necessárias nos processos internos das empresas?

    Por exemplo: sistemas de faturamento, conciliação financeira, integração com meios de pagamento, controles internos, entre outros.

    Vocês acreditam que empresas menores terão mais dificuldade nessa adaptação? E como os escritórios contábeis podem apoiar seus clientes nesse processo?

    Queria entender como vocês estão antecipando esse tipo de mudança.

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    Respostas da Comunidade (1)

    Márcio Augusto Borges
    3.417 pts

    Olá Camila, boa noite.
    O Split Payment é, sem dúvida, a mudança operacional mais profunda da Reforma Tributária. Como estamos em abril de 2026, no meio do "ano de testes", já conseguimos enxergar que não se trata apenas de uma nova forma de pagar, mas de uma reestruturação do DNA financeiro das empresas.

    Para quem atua com auditoria e empresas de capital aberto (CVM), o rigor no controle interno será o divisor de águas. Abaixo, detalho como essa "engrenagem" deve mudar:

    1. Mudanças nos Processos Internos
    A grande mudança é a vinculação obrigatória entre o Documento Fiscal Eletrônico (DFe) e o pagamento. Conforme a recém-publicada Nota Técnica 2026.001, agora existem campos específicos para o identificador da transação financeira (idTransacao).

    Faturamento: O sistema de emissão de notas (ERP) não pode mais ser "desconectado" do meio de pagamento. Ao emitir a nota, o sistema já deve gerar o QR Code Pix Dinâmico ou o boleto com as instruções de split.

    Conciliação Financeira: Esqueça a conciliação baseada no valor bruto. O extrato bancário do seu cliente passará a mostrar o valor líquido. A conciliação terá que ser tripla: [Nota Fiscal] vs [Valor Líquido Recebido] vs [Imposto Retido pelo PSP].

    Controles Internos: O maior risco agora é a "retenção indevida" ou falhas na comunicação entre o banco e o fisco. As empresas precisarão de auditorias frequentes para garantir que o imposto retido no split bate exatamente com o débito de IBS/CBS apurado.

    2. O Desafio das Empresas Menores
    Sim, as empresas menores (e do Simples Nacional) terão uma dificuldade técnica proporcionalmente maior.

    Dependência de Terceiros: Enquanto uma grande empresa desenvolve sua própria integração, o pequeno depende da atualização do software de prateleira. Se o software atrasar, a empresa fica irregular.

    Gestão de Fluxo de Caixa: Muitas empresas menores usam o "valor do imposto" (que seria pago apenas no mês seguinte) como capital de giro de curto prazo. Com o split, esse dinheiro nem entra na conta. Isso pode gerar uma crise de liquidez imediata se não houver planejamento.

    Educação Digital: Muitos pequenos empresários ainda operam com Pix CPF ou transferências manuais. O split exige o uso de contas correntes PJ e meios de pagamento homologados.

    3. O Papel Estratégico do Escritório Contábil
    Neste cenário, nosso papel como contadores e consultores deixa de ser "gerar guia" e passa a ser integrador de sistemas.

    Consultoria de Implantação: Apoiar o cliente na escolha de ERPs e Gateways de pagamento que já estejam 100% aderentes à NT 2026.001.

    Auditoria de Créditos: Como o imposto é retido na saída, garantir que o cliente aproveite todos os créditos das entradas (o "crédito financeiro") será vital para a sobrevivência do negócio.

    Saneamento de Dados: Como perito e auditor, você sabe que o dado sujo gera erro no split. O contador deve ajudar o cliente a limpar o cadastro de produtos e fornecedores para garantir que a alíquota aplicada no split seja a correta.
    Como você lida com empresas reguladas pela CVM, a integração do split payment com os demonstrativos financeiros será um desafio de transparência e notas explicativas.
    Espero ter ajudado.

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