Bom dia, Isabela,
Vou explicar direitinho o que muda para o ISS a partir de 2026 e o que ainda não muda tão cedo.
O ISS não desaparece em 2026
A primeira coisa importante de entender é que o ISS não vai ser extinto de uma hora para outra. A Reforma Tributária prevê um período de transição longo, que vai de 2026 até 2032, com extinção completa do ISS (e do ICMS) prevista apenas para 2033. Então, em 2026, o ISS ainda existe e continua sendo cobrado pelos municípios normalmente.
Então o que muda em 2026?
A grande novidade de 2026 é a entrada em vigor do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) em alíquotas reduzidas, chamadas de "alíquotas-teste". O IBS, que vai substituir o ISS e o ICMS no futuro, começa a ser cobrado com alíquota de apenas 0,1% a partir de 2026. A CBS começa com 0,9%.
Ou seja, em 2026 o prestador de serviços vai conviver com dois sistemas ao mesmo tempo: continua apurando e recolhendo o ISS normalmente para o município, e passa a ter também a obrigação de apurar e recolher CBS e IBS em alíquotas pequenas. É o início do período de adaptação.
Na prática, o que o prestador de serviços precisa fazer em 2026?
Ele continua emitindo NFS-e normalmente, continua recolhendo ISS para o município conforme as regras locais, e passa a ter também obrigações relacionadas ao IBS e à CBS. A ideia dessas alíquotas reduzidas em 2026 e 2027 é justamente dar tempo para que empresas, contadores e sistemas se adaptem à nova sistemática antes da transição de verdade, que começa de forma mais expressiva a partir de 2029.
E a NFS-e muda em 2026?
A Nota Fiscal de Serviços Eletrônica nacional (aquela padronizada pela SEFIN e que o governo federal vem expandindo para todos os municípios) continua sendo o documento fiscal dos serviços. Com a entrada gradual do IBS, espera-se que as NFS-e passem a contemplar também os campos relativos a esse novo tributo, mas isso ainda está em fase de regulamentação pelas autoridades. É algo que vai evoluir ao longo dos próximos anos.
Resumindo o cenário de 2026
Em 2026, quem presta serviços vai continuar apurando ISS normalmente para o município, mas vai passar a ter também CBS e IBS em alíquotas muito baixas, como uma fase de "teste" da nova sistemática. A extinção do ISS de fato só acontece em 2033. O período de 2026 a 2028 é de convivência entre os dois sistemas, com alíquotas do IBS/CBS ainda bem pequenas e o ISS prevalecendo na carga tributária real.
O ponto mais importante para quem está se atualizando agora é não confundir "início da vigência do IBS" com "fim do ISS". São coisas diferentes. O ISS segue pleno em 2026 e vai sendo gradualmente substituído ao longo da transição.