Obrigações de associação privada (Irmandade)

    Luzimara Faria Dos Santos Almeida
    🌱

    Bom dia,

    Gostaria de saber quais as obrigações de uma associação privada (irmandade) no RJ e os impostos que devem pagar.

    Obrigada

    associação privadairmandadeobrigaçõesimpostos
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    Respostas da Comunidade (1)

    Guilherme Henrique Ferreira
    5.587 pts

    Boa tarde, Luzimara,

    Vou explicar as principais obrigações de uma associação privada, como uma irmandade, no Rio de Janeiro.

    O que é uma associação privada?

    As irmandades são entidades sem fins lucrativos, constituídas sob a forma de associação civil, regidas pelo Código Civil (artigos 53 a 61) e, dependendo de sua finalidade, podem se enquadrar como entidades de interesse público ou religioso.

    Obrigações contábeis e fiscais

    Mesmo sendo uma entidade sem fins lucrativos, a associação tem diversas obrigações:

    Escrituração contábil A associação precisa manter escrituração contábil regular, com Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Período. Isso vale mesmo que ela não tenha fins lucrativos — a contabilidade é obrigatória.

    Declaração de Isenção do IRPJ (DEFIS / DIPJ) Associações que se enquadram nos requisitos de isenção do Imposto de Renda (art. 15 da Lei 9.532/97) precisam comprovar anualmente que atendem às condições exigidas. Entre elas estão: não remunerar diretores, aplicar integralmente as receitas nas atividades da entidade e manter escrituração regular.

    ECF — Escrituração Contábil Fiscal Mesmo as entidades isentas são obrigadas a entregar a ECF anualmente à Receita Federal.

    ECD — Escrituração Contábil Digital Dependendo do porte e das receitas da associação, pode haver obrigatoriedade de entrega da ECD pelo SPED Contábil.

    Impostos federais

    De forma geral, as associações sem fins lucrativos são isentas de IRPJ e CSLL, desde que atendam aos requisitos legais. No entanto, isso não significa que estejam livres de todos os tributos.

    Sobre as receitas que não sejam relacionadas diretamente à sua finalidade social (como aluguéis de imóveis, por exemplo), pode incidir tributação normal.

    O PIS pode ser devido, dependendo da natureza das receitas. Para entidades sem fins lucrativos, a alíquota é geralmente de 1% sobre a folha de pagamento, no regime cumulativo.

    A COFINS segue lógica semelhante ao PIS.

    Obrigações trabalhistas e previdenciárias

    Se a associação tiver empregados, todas as obrigações trabalhistas se aplicam normalmente: registro em carteira, FGTS, férias, 13º salário, entre outros.

    O eSocial é obrigatório para entidades com funcionários, incluindo o envio das informações de folha de pagamento.

    O INSS patronal é devido normalmente sobre a folha, salvo se a entidade obtiver a certificação como CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), que concede isenção da cota patronal. Para irmandades com caráter assistencial, vale a pena verificar se há essa possibilidade.

    Obrigações municipais no Rio de Janeiro

    O ISS (Imposto Sobre Serviços) pode incidir caso a associação preste serviços a terceiros. Se a atividade for estritamente religiosa e sem prestação de serviços onerosa, em geral não há incidência.

    O IPTU pode ter isenção para os imóveis utilizados nas atividades da entidade, mas isso precisa ser requerido formalmente à Prefeitura do Rio de Janeiro, com comprovação da finalidade do uso.

    Registro e documentação

    A associação deve manter em dia o registro no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas, com estatuto atualizado, atas de eleição de diretoria e alterações estatutárias devidamente registradas.

    O CNPJ precisa estar ativo e com as informações cadastrais corretas na Receita Federal, incluindo atualização quando houver mudança de diretoria.

    Um ponto de atenção importante

    A isenção de tributos não é automática. A associação precisa cumprir os requisitos legais continuamente e, em alguns casos, formalizar o pedido de isenção perante os órgãos competentes. Vale sempre contar com um contador para garantir que todas as obrigações estejam sendo cumpridas e que a entidade não perca os benefícios fiscais a que tem direito.

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