Olá Keila, boa tarde.
A resposta curta é: Sim, dá para trabalhar no fiscal sendo iniciante, desde que o escritório saiba que você está em fase de transição e ofereça suporte. Sair do MEI para o Simples Nacional e Lucro Presumido é um salto de complexidade, mas é exatamente onde o profissional começa a ser mais valorizado.
No MEI, você lida com uma guia única e quase nenhuma obrigação acessória. No novo cargo, o jogo muda:
Simples Nacional: Você precisará entender o PGDAS-D, o cálculo do Fator R (que você já mencionou antes) e as segregações de receitas (o que é revenda, o que é serviço, o que tem substituição tributária).
Lucro Presumido: Aqui o nível sobe. Você terá que lidar com PIS, COFINS, IRPJ e CSLL de forma separada, além de entender as retenções na fonte (o famoso "CSRF" e o IRRF).
Obrigações Acessórias: Prepare-se para siglas como EFD Contribuições, EFD Reinf, DCTF e SPED Fiscal. Elas são o coração do setor fiscal em escritórios.
Por que aceitar? (O lado positivo)
Curva de Aprendizado: Em seis meses em um escritório com Lucro Presumido, você aprenderá o que levaria dois anos estudando apenas teoria.
Valorização Profissional: O mercado valoriza quem sabe operar o SPED. É uma habilidade técnica que separa os "digitadores de guia" dos analistas fiscais.
Ambiente de Escritório: Diferente de trabalhar sozinha, no escritório você terá (ou deveria ter) um sistema contábil robusto que automatiza muita coisa e colegas mais experientes para tirar dúvidas.
O que você deve avaliar antes de dizer "sim":
Antes de aceitar, vale fazer três perguntas para o recrutador:
"Haverá um período de treinamento ou acompanhamento?" (Saber se você terá a quem recorrer é fundamental).
"O escritório utiliza algum sistema de auditoria digital?" (Sistemas que conferem erros de CFOP ou NCM ajudam muito quem está começando).
"Qual é o volume de empresas?" (Muitas empresas do Simples são tranquilas, mas poucas do Lucro Presumido com muita movimentação podem ser pesadas).
Dica para o seu "Primeiro Dia"
Se aceitar, foque primeiro em entender a origem das notas. O fiscal é um grande quebra-cabeça: se a entrada (compra) e a saída (venda) estiverem com os códigos (CFOP/CST) corretos, o resto do trabalho flui.
Conselho de quem conhece a área: O medo de errar no fiscal é o que nos faz conferir tudo três vezes, e é justamente esse cuidado que faz um bom profissional. Se você já tem o zelo de se preocupar com o desenquadramento de uma cliente médica, você já tem a mentalidade certa para o setor fiscal.
Espero ter ajudado.