Como fazer calculo de Valuation de Empresa

    JN
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    Um cliente me questionou sobre a realização do cálculo de Valuation da empresa da qual é sócio, alguém que tenha experiência nesse calculo que possa compartilhar o passo a passo de como fazer ?

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    Respostas da Comunidade (1)

    Guilherme Henrique Ferreira
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    Boa tarde, José Maria,

    Valuation é um tema que costuma gerar bastante dúvida porque não existe um único método correto, e sim diferentes abordagens que podem ser usadas dependendo do tipo de empresa, do setor e da finalidade da avaliação. Vou explicar os métodos mais utilizados na prática para que você tenha uma visão completa de como conduzir esse trabalho.

    O primeiro ponto importante é entender que valuation não é uma ciência exata. É uma estimativa fundamentada, e por isso o mesmo negócio pode ter valores diferentes dependendo do método escolhido e das premissas adotadas. O ideal é sempre calcular por mais de um método e depois analisar a razoabilidade dos resultados encontrados.

    O método mais utilizado e mais completo é o Fluxo de Caixa Descontado, conhecido como FCD ou DCF. Nele, você projeta o fluxo de caixa livre da empresa para os próximos anos, geralmente entre cinco e dez anos, e depois traz esse fluxo a valor presente utilizando uma taxa de desconto que reflita o risco do negócio, normalmente calculada pelo WACC, que é o custo médio ponderado de capital. O passo a passo básico é o seguinte: primeiro você projeta as receitas futuras com base no histórico e nas perspectivas de crescimento do setor; depois projeta os custos e despesas para chegar ao lucro operacional; em seguida calcula o fluxo de caixa livre, que é o lucro operacional depois de impostos, somado à depreciação e amortização, subtraindo os investimentos em capital de giro e em ativos fixos; depois disso, define a taxa de desconto adequada ao risco do negócio; e por fim traz cada fluxo futuro a valor presente e soma tudo, incluindo o valor da perpetuidade, que representa o valor da empresa após o período projetado, geralmente calculado por uma fórmula de crescimento constante na perpetuidade.

    Outro método bastante usado, principalmente para uma primeira estimativa mais rápida, é o Múltiplos de Mercado. Aqui você compara a empresa com outras do mesmo setor que já tiveram seu valor definido, seja por meio de transações realizadas ou por empresas de capital aberto. Os múltiplos mais comuns são o EV sobre EBITDA e o Preço sobre Lucro. Você aplica o múltiplo médio do setor sobre o indicador da empresa avaliada e chega a uma estimativa de valor. É um método mais simples, mas depende muito da qualidade da base comparável, que muitas vezes é difícil de conseguir para empresas de menor porte no Brasil.

    Existe também o método Patrimonial, que avalia a empresa com base no seu patrimônio líquido contábil, ajustado a valor de mercado. Esse método costuma ser usado para empresas com pouca atividade operacional relevante, como holdings patrimoniais, ou em situações específicas como liquidação de sociedade, já que ele não capta a capacidade de geração de resultado futuro do negócio.

    Para o caso do seu cliente, que é sócio de uma empresa em operação, o mais indicado normalmente é combinar o Fluxo de Caixa Descontado como método principal, por captar a real capacidade de geração de valor do negócio, com os Múltiplos de Mercado como uma checagem de razoabilidade do resultado encontrado.

    Alguns cuidados são importantes nesse processo. É fundamental normalizar as demonstrações contábeis antes de iniciar as projeções, removendo eventos não recorrentes, ajustando despesas que não representam a realidade operacional futura, como pró-labore muito distante do valor de mercado, e conferindo se a empresa não tem contingências relevantes não provisionadas que possam impactar o valor. Também é importante considerar se o negócio tem alguma dependência excessiva dos sócios atuais, pois isso pode gerar o chamado deságio por dependência de pessoa chave, reduzindo o valor encontrado.

    Vale reforçar que valuation de empresas de menor porte, principalmente as que não possuem informações contábeis muito robustas ou histórico consistente, tende a ter uma margem de incerteza maior, e por isso o resultado deve ser sempre apresentado como uma faixa de valores, e não como um número fechado e definitivo.

    Se o objetivo do seu cliente for algo mais formal, como uma negociação de venda de participação societária, entrada de investidor ou processo de sucessão, o recomendável é buscar apoio de um profissional especializado em avaliação de empresas, já que existem nuances técnicas e legais que vão além do cálculo em si, especialmente quando o resultado pode ser usado como base para um contrato ou para fins fiscais.

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