Boa tarde, Raphael,
Boa pergunta, e a situação é mais comum do que parece, especialmente em compras de equipamentos que chegam incompletos.
Vamos entender o que aconteceu antes de chegar na contabilização:
A primeira nota (CFOP 5101, R$ 38.590,00) representa a venda completa do kit câmara fria, incluindo o motor. Ou seja, o valor total já foi faturado ali, e é essa nota que tem o respaldo financeiro da operação. A segunda nota (CFOP 5949, R$ 31.555,22) é uma nota de simples faturamento, emitida apenas para acompanhar fisicamente o motor na estrada, porque sem documento fiscal a mercadoria não pode circular. Ela não representa uma nova venda, não gera nova cobrança e não tem movimentação financeira, como você mesmo percebeu.
Como contabilizar:
A primeira nota você contabiliza normalmente, como uma compra de ativo imobilizado (ou estoque, dependendo da destinação da câmara fria na sua empresa), pelo valor total de R$ 38.590,00, com todos os impostos destacados nela.
A segunda nota não gera lançamento contábil nenhum. Ela é apenas um documento de trânsito, um complemento físico da primeira. Como as próprias informações complementares deixam claro, ela faz referência à NF 71664 e representa peças que já estavam contempladas naquele valor.
O que você pode fazer para deixar seu arquivo organizado é guardar as duas notas juntas, e se o seu sistema permitir, vincular ou anotar na segunda nota que ela é suplementar à primeira, sem impacto contábil ou financeiro.
Um detalhe importante: confirme se a primeira nota destacou corretamente todos os impostos sobre o valor total de R$ 38.590,00, porque se o motor representa R$ 31.555,22 desse total, a base de cálculo precisa estar inteira já na nota original. Se o fornecedor destacou impostos também na segunda nota, isso pode gerar uma discussão sobre aproveitamento de crédito, então vale checar antes de escriturar