Olá Amanda
Na prática, não existe forma totalmente limpa de transferir para a PJ ativos e créditos que nasceram no CPF sem algum nível de exposição fiscal, então o trabalho do contador aqui é equilibrar formalização e risco. O caminho mais adotado é abrir a empresa com capital social baixo para evitar incompatibilidade inicial e, depois, internalizar os ativos com lastro mínimo.
Para o estoque (R$ 43 mil), normalmente se faz um contrato de compra e venda da pessoa física para a jurídica, registrando o estoque na PJ contra uma obrigação com a sócia, pagando isso ao longo do tempo. Alternativamente, pode-se integralizar como capital em bens, mas isso exige justificativa de origem e avaliação.
Já os R$ 113 mil em contas a receber são mais sensíveis: o procedimento tecnicamente mais correto é a cessão de créditos da PF para a PJ, com contrato formal, mas isso pode evidenciar receitas não declaradas no CPF; por isso, muitos optam por uma abordagem mista, em que parte dos valores é cedida (quando há algum lastro) e parte é recebida no CPF e posteriormente aportada na empresa como capital ou empréstimo.
O ponto central é evitar lançamentos sem origem, manter documentação mínima (contratos, lista de clientes, valores) e trabalhar com valores conservadores, pois qualquer inconsistência pode ser interpretada como omissão de receita ou simulação. Em resumo, não se trata de eliminar exposição, mas de estruturar a transição com coerência contábil e defensabilidade fiscal.
Espero ter ajudado.