INICIO CONTABIL - Setor Comercio de Placas Veiculares

    PR
    🌱
    🌱 32 pts

    Prezados colegas,

    Gostaria de pedir um conselho de quem já passou por uma situação semelhante.

    Possuo aproximadamente 6 anos de experiência na área fiscal e recentemente prestei o exame do CRC 2026.1. Com bastante estudo e auxílio dos materiais da Contabilidade Facilitada, consegui a aprovação.

    Minha família abriu uma empresa no ramo de placas veiculares e atualmente a contabilidade é realizada por outro profissional. Hoje recebemos dele apenas as guias referentes ao Simples Nacional e ao INSS incidente sobre um pró-labore.

    Na parte fiscal, tenho familiaridade com a apuração e geração das obrigações do Simples Nacional por meio do PGDAS-D. Já em relação ao pró-labore e às rotinas do eSocial, ainda não possuo experiência prática na execução, embora conheça a plataforma e saiba localizar as informações e eventos necessários.

    A empresa ainda não vem apresentando lucro e, conversando com uma ex-colega de trabalho, fui informada de que empresas optantes pelo Simples Nacional, em determinadas situações, podem não estar obrigadas à entrega da ECD, utilizando controles como o Livro Caixa e cumprindo as demais obrigações acessórias aplicáveis.

    Não possuo sistema contábil e seria a minha primeira experiência assumindo essa responsabilidade integralmente. Imagino que muitos profissionais da área contábil compartilhem esse receio inicial ao começar a atender seus próprios clientes ou administrar a contabilidade do próprio negócio.

    Inclusive, um dos motivos pelos quais busquei a aprovação no CRC foi justamente a possibilidade de, no futuro, assumir a contabilidade da empresa da minha família.

    Gostaria de ouvir a experiência dos colegas que fizeram essa transição: vale a pena começar pela própria empresa? Quais cuidados vocês recomendariam para evitar erros nesse início? E o que me indicariam pra sempre praticar o correto, não quero perder meu CRC sendo que foi difícil conquistar kkk.

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    Respostas da Comunidade (1)

    Guilherme Henrique Ferreira
    18.392 pts

    Bom dia, Pricila,

    Que conquista linda, e que jornada bonita a sua! Parabéns pela aprovação no CRC, especialmente com a bagagem de seis anos na área fiscal — isso já é um diferencial enorme para quem está começando a atender de forma autônoma.

    Começar pela empresa da própria família é, sim, uma das melhores portas de entrada para quem ainda não tem experiência prática completa na condução de uma contabilidade do início ao fim. O ambiente é mais tolerante ao aprendizado, você tem acesso fácil aos documentos e aos sócios, e o custo de um eventual erro é menor do que seria com um cliente externo. Isso não significa que se pode trabalhar com menos rigor, muito pelo contrário, mas o espaço para crescer sem perder o cliente existe e é valioso.

    Sobre a dispensa da ECD, sua colega está correta na essência. A Resolução CGSN 140/2018, no artigo 72, prevê que a empresa optante pelo Simples Nacional fica dispensada de manter escrituração contábil completa para fins fiscais, desde que mantenha o Livro Caixa devidamente escriturado. Isso significa que, em princípio, não há obrigação de entrega da ECD ao SPED para empresas nesse regime. Entretanto, há uma ressalva fundamental que você precisa conhecer desde já: se a empresa tiver mais de um sócio e quiser distribuir lucros com isenção de Imposto de Renda acima dos valores calculados pelo PGDAS-D, ela precisará de escrituração contábil completa para comprovar esse lucro. Sem a contabilidade, a distribuição fica limitada ao valor proporcional calculado na apuração do Simples, e qualquer excedente pode ser tributado como rendimento do trabalho. Então, mesmo sem a obrigação legal de entregar a ECD, é altamente recomendável que você mantenha a escrituração contábil completa para proteger os sócios nessa questão dos lucros.

    Para o Livro Caixa, caso opte por não fazer a escrituração completa inicialmente, ele precisa registrar todas as entradas e saídas de forma cronológica e organizada. Isso não substitui uma boa contabilidade, mas cumpre a exigência mínima para a dispensa da ECD.

    No que diz respeito ao eSocial e ao pró-labore, essa é mesmo a parte que merece mais atenção da sua parte agora, já que você mencionou que ainda não tem experiência prática nela. O fluxo básico para uma empresa com um sócio que retira pró-labore envolve o envio do evento S-1200, que é a remuneração do trabalhador, e o fechamento com o S-1299. A partir daí, a DCTFWeb consolida as contribuições previdenciárias devidas. O INSS sobre o pró-labore é de 11%, a cargo do sócio administrador, descontado na fonte pela empresa, e a empresa também recolhe a cota patronal de 20% sobre esse valor quando não está enquadrada na desoneração. Vale verificar se a atividade de comércio de placas veiculares possui alguma peculiaridade no enquadramento, mas em geral segue essa regra geral da contribuição patronal normal para empresas do Simples.

    Quanto à questão dos sistemas, isso é realmente algo que vai fazer diferença na sua organização e na confiabilidade das informações. Existem opções acessíveis no mercado voltadas para pequenos escritórios ou profissionais autônomos, e vale o investimento desde cedo. Trabalhar só em planilhas é possível, mas aumenta o risco de erro e dificulta muito a revisão e o controle ao longo do tempo.

    Um cuidado prático muito importante: separe com clareza o que é da empresa e o que é pessoal da família desde o primeiro dia. Conta bancária exclusiva, registros de todas as movimentações, notas fiscais organizadas por competência. Essa disciplina básica é o que vai permitir que você tenha uma contabilidade confiável e, se precisar, comprove qualquer situação perante a Receita Federal ou outros órgãos.

    Para preservar seu CRC e atuar com segurança, uma recomendação muito prática é não ter receio de consultar as normas diretamente, como a LC 123/2006, a Resolução CGSN 140/2018 e as instruções normativas da Receita Federal relacionadas ao eSocial. Quando surgir uma dúvida sobre uma situação específica, a fonte primária sempre deve ser o texto legal, não o que alguém disse que é assim. E quando a dúvida persistir, contar com o apoio de colegas mais experientes ou de fóruns como este é exatamente o caminho certo, sem qualquer vergonha nisso.

    Você está começando com uma vantagem real: conhecimento fiscal sólido, motivação genuína e uma situação controlada para praticar. Aproveite bem esse espaço de aprendizado e construa sua metodologia de trabalho desde o início com organização e responsabilidade. Esse cuidado que você já demonstra ao perguntar é exatamente o que separa quem dura na profissão de quem tropeça nela.

    Bem-vinda à prática contábil!

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