No meu ponto de vista o melhor regime para revenda de veículos é o Lucro Presumido, pois permite pagar tributos federais (11,33% no total) sobre a margem de lucro (diferença entre compra e venda) e não sobre o faturamento total, além de permitir reduções na base de cálculo do ICMS estadual.
Por que o Lucro Presumido vence o Simples?
No Simples Nacional, os impostos incidem sobre a receita bruta (valor de venda do carro). Como carros têm alto valor agregado, a alíquota do Simples pode atingir tetos altíssimos, tornando a operação inviável.
No Lucro Presumido, a lógica muda drasticamente:
Impostos Federais (PIS, COFINS, IRPJ, CSLL): Você só paga sobre o lucro bruto (a diferença entre o valor que você pagou no carro e o valor que vendeu).
Redução Legal de ICMS: A maioria dos estados permite uma base de cálculo reduzida. Por exemplo, em São Paulo, o ICMS para usados é cobrado com uma redução na base de cálculo, resultando em uma alíquota efetiva de cerca de 1,8%. Em Minas Gerais, há também grandes reduções.
O Impacto da Reforma Tributária
A reforma consolida o sistema não cumulativo (onde o imposto de uma etapa gera crédito para a outra) e unifica tributos, impactando o setor em fases:
Transição Gradual: Impostos atuais como PIS e COFINS começam a ser substituídos pelo CBS, e o ICMS pelo IBS, visando eliminar o efeito cascata da tributação.
Imposto Seletivo (O "Imposto do Pecado"): Carros zero km podem sofrer variações de alíquotas a depender de fatores como eficiência energética e impacto ambiental. Isso pode encarecer modelos mais poluentes e, por tabela, movimentar os preços e a liquidez dos seminovos.
Margem Apertada: A incidência do IBS (substituto do ICMS) no valor agregado requer atenção redobrada, uma vez que a margem no mercado de seminovos historicamente gira em torno de 10,00% a 15,00%.